Estudantes indígenas ocupam a Reitoria da UFSM para cobrar políticas de permanência na universidade

Um grupo de estudantes indígenas da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) ocupa, desde a manhã desta terça-feira (24), o prédio da Reitoria. A mobilização é liderada pelo Coletivo Indígena Augusto Ope, que reivindica melhorias nas condições de permanência estudantil e cobra respostas da administração central.

+ Receba as principais notícias de Santa Maria e região no seu WhatsApp

Segundo o coletivo, a ação ocorre "após anos de tentativas de diálogo sem retorno efetivo". Os estudantes afirmam que, desde 2022, protocolos e notificações foram encaminhados à universidade com demandas estruturais, mas sem avanços concretos.

— Estamos mobilizados em torno da pauta da permanência. Queremos condições reais para que os estudantes indígenas consigam permanecer na universidade e concluir seus cursos — informaram os representantes do grupo.

A principal reivindicação é a criação de uma bolsa permanência própria da UFSM para atender estudantes que ainda não são contemplados pelo programa federal. Atualmente, o benefício do Ministério da Educação é destinado a indígenas e quilombolas, mas, segundo o coletivo, não atende a totalidade dos alunos que necessitam do auxílio.

Estamos pedindo que a universidade garanta uma bolsa própria até que todos sejam contemplados pelo programa federal. Hoje, há estudantes sem nenhum tipo de suporte financeiro — relatam.

Além da questão financeira, o grupo também solicita a equiparação das bolsas destinadas à diretoria da Casa do Estudante Indígena, que, conforme os estudantes, desempenha funções de organização e gestão semelhantes às de outras moradias estudantis da universidade.

Entre as pautas apresentadas, está ainda a criação de um espaço de convivência específico no bloco destinado aos estudantes indígenas e o apoio institucional para deslocamento a Brasília, onde pretendem reivindicar a retomada da construção de um novo prédio para a moradia, obra que estaria paralisada há anos.

Os estudantes destacam que a atual ocupação não é um movimento isolado. Em 2014, uma mobilização semelhante resultou na criação da Casa do Estudante Indígena na UFSM. Para o coletivo, a repetição desse tipo de ação evidencia a dificuldade histórica de acesso a direitos básicos dentro da universidade.

— A nossa luta não é recente. Já precisamos ocupar a reitoria outras vezes para sermos ouvidos — afirmam.

Os manifestantes também apontam que os desafios enfrentados vão além da questão financeira. Eles citam estão o isolamento, o choque cultural, barreiras linguísticas e situações de racismo institucional, fatores que contribuem para a evasão no Ensino Superior. Outro ponto é que muitos estudantes indígenas levam familiares e mantêm vínculos com suas comunidades de origem, o que amplia a necessidade de políticas públicas específicas de apoio.

Até o momento, o grupo afirma aguardar um posicionamento oficial da Reitoria sobre as demandas apresentadas. A mobilização segue no prédio da administração central, sem previsão de encerramento.

— Não vamos recuar até que nossos direitos sejam garantidos — declarou o coletivo.


O que diz a UFSM

A reportagem entrou em contato com a assessoria da Reitoria  da UFSM, que se manifestou por nota informando que a ocupação dos indígenas é pacífica e não impede as atividades administrativas. A previsão é dar uma resposta sobre as reivindicações até quarta-feira (25). Confira a nota abaixo:

Um grupo de estudantes indígenas ocupa o espaço do gabinete desde o início da manhã desta terça-feira. Ressaltamos que ocorre de forma pacífica e o gabinete mantém suas atividades administrativas normalmente. É importante destacar que a Reitoria já mantinha um diálogo constante com o grupo; as demandas apresentadas são objeto de estudo da gestão e já foram pauta de outras duas reuniões anteriores com o grupo. No momento, a equipe técnica trabalha na análise dessas solicitações para apresentar uma resposta oficial aos estudantes amanhã.


Carregando matéria

Conteúdo exclusivo!

Somente assinantes podem visualizar este conteúdo

clique aqui para verificar os planos disponíveis

Já sou assinante

clique aqui para efetuar o login

Polícia Civil conclui inquérito sobre ataque a salão de festas de vereador e indicia seis pessoas em Santa Maria Anterior

Polícia Civil conclui inquérito sobre ataque a salão de festas de vereador e indicia seis pessoas em Santa Maria

Jovem é preso por porte ilegal de arma de fogo em Júlio de Castilhos Próximo

Jovem é preso por porte ilegal de arma de fogo em Júlio de Castilhos

Polícia/Segurança